A doença tem cura e o tratamento é gratuito
O próximo dia 31 de janeiro marca o Dia Mundial de Combate à Hanseníase e a Secretaria de Estado de Saúde, em parceria com o COREN-MT e outras instituições, promove algumas ações de conscientização da sociedade.
A meta é esclarecer a população quanto às formas de contágio e de tratamento. A doença não tem vacina, mas tem cura. Nesse período, a Superintendência de Vigilância em Saúde, da SES/MT, irá promover a divulgação de várias informações sobre o agravo no sentido de dotar a população de instrumentos para a prevenção e tratamento da doença.
A campanha da SES destaca a seguinte frase: “Hanseníase: Áreas dormentes no corpo, com ou sem manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, queimar ou cortar sem sentir dor, fisgadas nos braços e pernas. Tem tratamento e cura, procure uma unidade de saúde!".
“Serão abordadas associações comunitárias, sindicatos, órgãos públicos e outros segmentos da sociedade organizada nos quais as informações serão veiculadas por meio de fôlderes, informativos, cartilha “Hanseníase e Direitos Humanos”, publicada pelo Ministério da Saúde para informar a garantia de tratamento da doença, exibições de DVDs e músicas sobre o agravo. O objetivo é tornar conhecidos os cuidados que podem ser tomados para se evitar a doença, além do tratamento de combate à Hanseníase”, explicou o coordenador estadual do Programa de Controle de Hanseníase, Cícero Fraga de Melo.
No próximo dia 31, a exemplo do que ocorreu no ano passado, serão feitas alusões aos cuidados com a Hanseníase em todas as Missas celebradas em Igrejas Católicas de Cuiabá.
Segundo dados parciais divulgados pela Superintendência de Vigilância em Saúde o número de novos casos de Hanseníase em Mato Grosso, em 2009, foi de 2.275, com uma taxa de 73.0% de cura ocupando o quinto lugar no ranking de estados que mais notificaram a doença, no ano.
“Uma série histórica, de 2006 a 2009, mostra que os números da Hanseníase vem caindo paulatinamente nos últimos anos em Mato Grosso. Em 2006 tivemos 3.169 casos novos da doença no estado. Em 2007 esse número caiu para 3.008 e em 2008 foi de 2.688”, explicou Cícero Fraga.
Ele ressaltou que a doença, por se constituir num problema de saúde pública, foi incluída na lista de prioridades do Ministério da Saúde, fortalecendo a atuação do Programa Nacional de Combate à Hanseníase.
A HANSENÍASE
Devido o país ter uma relação histórica com a doença, graças à figura do escultor Aleijadinho, a hanseníase é envolta de muitos mitos. O primeiro diz respeito às consequências físicas no corpo.
A doença não provoca o mutilamento ou o desgaste dos membros. Ela provoca, na verdade, uma falta de sensibilidade nos braços, pernas e nas partes atingidas. Dessa forma, o paciente não sente dor nem calcula peso e acaba por não tomar cuidados com o próprio corpo, como o correto tratamento de feridas. “O hanseniano não tem o reflexo que a gente tem. Ele não se preocupa com a doença porque não sente dor”, explica a enfermeira Luciane Cegati, da equipe da Coordenação Estadual e membro da Comissão de Ética do COREN-MT.
Por esse motivo, a doença pode gerar incapacidade física, perda de massa óssea e pode ocasionar feridas. “O objetivo é prevenir a incapacidade física e divulgar que [a doença] tem cura”, ressalta Drª Luciane.
Para detectar a doença, é preciso observar seus sintomas: manchas vermelhas ou esbranquiçadas na pele, dores nos nervos, dormência nos membros e falta de sensibilidade. Ao observar qualquer um dos sintomas, é necessário procurar qualquer unidade de saúde pública.
CONTÁGIO E TRATAMENTO
A hanseníase é transmitida por bacilos e apresenta quatro formas, das quais duas são contagiosas e duas não.
Não há uma prevenção, apenas a orientação quanto à detecção dos sintomas e o acompanhamento das pessoas que convivem com os hansênicos. A doença não é transmitida com o simples contato, mas se dá pela convivência (contato rotineiro) com o paciente. Além disso, a doença pode levar até 10 anos para se manifestar.
Por esses motivos, sempre que a equipe de saúde notifica um novo caso, ela busca todas as pessoas que conviveram com o doente nos últimos cinco anos.
Todo o tratamento é gratuito e deve ser feito necessariamente pelo SUS, pois são as unidades públicas que notificam os casos e que têm acesso aos medicamentos, doados ao Ministério da Saúde por uma Organização Não Governamental Panamericana.
O tratamento completo dura seis meses, nos casos das formas não-contagiosas, e 12 meses, nos casos das contagiosas.
FONTE: COREN-MT
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